Nasce Raul Santos Seixas
Raul nasce em 28 de junho, em Salvador. Criado no bairro da Graça, cresce entre os livros do pai, as viagens de trem pelo interior da Bahia e uma curiosidade que nunca respeitou fronteiras.
Biografia & linha do tempo
O homem que misturou Elvis, Luiz Gonzaga, filosofia e rebeldia — e deu ao rock brasileiro uma voz impossível de domesticar.
↓Uma voz sem molde
Foi cantor, compositor, produtor, guitarrista, personagem e provocador. Um artista que transformou inquietações filosóficas em música popular.
Nascido em Salvador, cresceu ouvindo os pioneiros norte-americanos do rock e a música nordestina. Dessa combinação surgiu uma linguagem própria: guitarra elétrica, baião, humor, misticismo e crítica social.
Fracassos, censura, perseguição política e problemas de saúde atravessaram sua trajetória. Ainda assim, Raul construiu uma obra que se recusou a envelhecer.
Entre uma opinião formada e a liberdade de mudar, Raul escolheu viver em movimento.
UMA METAMORFOSE BRASILEIRA
Selecione uma fase para percorrer a trajetória de Raulzito ao Maluco Beleza.
Raul nasce em 28 de junho, em Salvador. Criado no bairro da Graça, cresce entre os livros do pai, as viagens de trem pelo interior da Bahia e uma curiosidade que nunca respeitou fronteiras.
Ao lado de Waldir Serrão, cria um dos primeiros fã-clubes de Elvis Presley no Brasil. O rock norte-americano entra em sua formação ao mesmo tempo que o baião de Luiz Gonzaga.
Forma seu primeiro grupo. A banda se transforma em The Panters e, depois, Raulzito e os Panteras, levando guitarras elétricas aos clubes e programas de televisão de Salvador.
O primeiro LP mistura composições próprias e versões internacionais. O disco fracassa comercialmente e Raul retorna à Bahia — um revés que se tornaria parte essencial de sua formação.
Contratado pela CBS, trabalha como produtor de artistas como Jerry Adriani, Diana e Sérgio Sampaio. Aprende por dentro como gravadoras, rádios e sucessos populares funcionavam.
Produz e grava, sem autorização formal da direção da CBS, um álbum experimental com Sérgio Sampaio, Edy Star e Miriam Batucada. O disco é retirado de circulação e Raul é demitido.
No Festival Internacional da Canção, Raul apresenta ao país a fusão de rock e baião que se tornaria sua assinatura. A performance abre o caminho para seu contrato com a Philips.
Seu primeiro grande sucesso solo reúne “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa” e “Metamorfose Ambulante”. Começa a parceria histórica com Paulo Coelho e nasce uma voz que o Brasil não conseguia classificar.
Investigados pela ditadura por suas ideias e pela Sociedade Alternativa, Raul e Paulo Coelho enfrentam perseguição e interrogatórios. Raul deixa o país, mas o sucesso de Gita acelera seu retorno ao Brasil.
O álbum aprofunda os temas de liberdade e transformação individual. “Tente Outra Vez”, “A Maçã” e “Rock do Diabo” atravessariam décadas como algumas de suas canções mais reconhecidas.
O disco encerra a fase mais intensa da parceria com Paulo Coelho. Misticismo, mortalidade, inconformismo e humor convivem em uma obra que fecha o período clássico de sua discografia.
Com Cláudio Roberto, lança O Dia em que a Terra Parou. A faixa “Maluco Beleza” deixa de ser apenas uma música e se transforma no apelido definitivo de Raul.
“Aluga-se” e “Rock das Aranha” voltam a desafiar a censura. Raul usa ironia e linguagem popular para falar de um país marcado por controle político e dificuldades econômicas.
Em Caieiras, é confundido com um imitador de si próprio e acaba detido. No mesmo ano, apresenta-se para uma multidão na praia do Gonzaga, em Santos.
A participação no especial infantil Plunct, Plact, Zuuum apresenta Raul a uma nova geração. O álbum Raul Seixas marca uma recuperação comercial.
Com a saúde fragilizada, afasta-se dos palcos. Enquanto isso, o Raul Rock Club produz uma coletânea de raridades — sinal de que a ligação dos fãs com sua obra já superava a indústria.
Depois de três anos sem um álbum de inéditas, volta às rádios com Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! e conquista um novo público.
A parceria com o vocalista do Camisa de Vênus devolve Raul aos palcos em uma extensa turnê nacional.
O último álbum chega às lojas em 19 de agosto. Dois dias depois, Raul é encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo, aos 44 anos. A obra, porém, continuaria crescendo.
Vinte anos após sua morte, recebe in memoriam a Ordem do Mérito Cultural, na classe Grã-Cruz.
O documentário O Início, o Fim e o Meio, a homenagem de Bruce Springsteen e a série Raul Seixas: Eu Sou renovam sua presença.
Arquivo da repressão · 1973
O gibi-manifesto da Sociedade Alternativa, as letras e a própria imagem de Raul despertaram a atenção dos órgãos de repressão. Documentos preservados pelo Arquivo Nacional registram a vigilância e a censura exercidas sobre sua obra.
Conhecer o contexto histórico ↗Documento: Serviço de Censura e Diversões Públicas · Domínio público / Acervo Arquivo NacionalUma seleção editorial — não um ranking — de discos que revelam diferentes versões de Raul.
Depois de Raul
“Toca Raul!” deixou de ser apenas um pedido de música. Virou um código cultural: uma forma coletiva de convocar irreverência, memória e liberdade.
A linha do tempo foi redigida a partir de fontes culturais, acadêmicas e históricas.